“Nunca uma mentira premeditada se aproximou de meu pensamento, nunca
menti por interesse próprio, mas muitas vezes menti por vergonha, para
me livrar de obstáculos em coisas que não tinham importância ou que só
interessavam a mim mesmo, quando uma conversa a lentidão de minhas
ideias e a aridez de minha fala me obrigavam a recorrer às ficções para
ter algo a dizer. Quando é absolutamente necessário falar e verdades
divertidas não se apresentam a meu espírito rápido o suficiente, como
fábulas para não ficar calado; porém ao inventar fábulas, tenho o máximo
de cuidado para que não sejam mentiras, isto é, para que não firam nem a
justiça nem a verdade devida e para que não passem de ficções
indiferentes a todos e a mim.”
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